"sinto coisas, outras coisas" começo usando a frase de Damião para mim. O Calor do Hermilo não é algo que me incomoda, gosto demais de suar e criar ao mesmo tempo. Talvez se estivéssemos com o ar gelado, eu sentiria as coisas de formas diferentes, e ter o calor perto de mim nesse processo me faz real a todo instante.
Esse dia veio como um presente de sinergia de olhares entre Dulce e eu, e de mais possobilidades de investigação de motores. Josefa não é só sexo, e sim sonho, assim como todos da terra. Ela e Bento Flor pulsam muito forte nos seus quereres dos caminhos. "Não é homem" é além de...Além da carne, além do palpável. Josefa e seus milhões de sentimentos ocultos, que ainda vai nos revelar. E Joseja e seus fracassos e atributos expostos e sedutores. Como serão? ansiedade que gosto de viver, resposta que desejo não parar de procurar. Suores dos três( Eu, Daniel e Dulce), se misturando, corpos em chamas, terra, água, sal. Raiva Tristeza. Desejo e saudade de coisas que nunca tiveram. Sinto esse início me puxando com brutalidade, mas algo brutal que fascina. (Acho que pra entrar nesse processo ou mergulha ou sai dele.)
Terra queimada já me arde, e sinceramente tenho medo do que posso vir a sentir. Sinto que todos querem muito. E acho que isso só tende a crescer com as descobertas. os novos motores que quero experimentar em Josepa é algo que totalmente oposto ao quadril, algo que nçao simbolize o desejo sexual, mas sim o coração, a bondade que ela tanto almeja, e não encontra, ouque encontra, mas não querem dar!
Acho que depois de segurarmos as partituras que ficaram pro espetáculo, poderíamos fazer um trabalhocom fotografias corporais, seria interessante também. Trabalhando em cima de cinto sentimentos, dentro de cada persona, colocando não só corpo, mas o olhar do personagem e a intenção. (em uma parada fotográfica). soumuito intensa emtudo que vivo, e realmente não achei que as energias do grupo fossem se abraçar com tanta facilidade. fico alegre e cheia de vontade pra mais. meu coração tá aberto pra essa terra.
Terra. Coração. Oferecimento. sonho.
Bihco sonhador. amente do que não tem. bondade desejada. Um suor misturado. Derettendo. choro. agonia. Criança desesperada. Paradeiro. círculo sexual. água de lágrima. Sede. Muita. Saliva. horizonte distante. so. caminho. perguntas. prisão. terra redonda, e labirinto. Eu. entranhas. Poeira que assanha vista e cabelos. Demência.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
"Inocência é a criança, e o esquecimento, um começar-de-novo, um jogo,
uma roda rodando por si mesma,
um sagrado dizer-sim, para o jogo de criar,
meus irmãos, é preciso um sagrado dizer-sim:
sua vontade quer agora o espírito, seu mundo ganha para si o perdido do mundo"
Nietzsche em Assim Falou Zaratustra
domingo, 13 de novembro de 2011
“Numa coivara de fogo, morreu tremendo de frio.”
Zé Limeira, o poeta do absurdo.
É sempre um abismo deflorar a virgindade dos espaços grávidos de sentido.
Sobre o abismo.
Não sei que misterioso chamado é esse — a atração do precipício. A cada encontro, me defronto com o chamado da morte. Por mais que estejamos decididos a se lançar, o corpo precisa aprender a ter coragem, do contrário não há salto, entrega, morte.
Quando o medo mastiga meus órgãos, me deito e arrasto o corpo até a borda de olhos fechados. Abro-os e meu olhar se perde na vertigem; escorrego numa longa queda.
Quando estarei pronto pra saltar?
Pequenas mortes a cada encontro. Caminhar por essa via negativa, pelo caminho da eliminação, para quem sabe nos “ENCARARMO-NUS”. Lembrava sempre aos discípulos o mestre Grotowski: "representamos tão completamente na vida que, para fazer teatro, bastaria cessar a representação".
Aos poucos, silenciamos a palavra e permitimos que comunicações mais sutis se estabelecessem. Como captar o segundo do teatro? Essa faísca que misteriosamente lhes toma como um raio, vocês já sentiram esse segundo? Conseguiram guardá-lo?
Sintonizar as energias, conectar as presenças para “um sagrado dizer-sim, para o jogo de criar, meus irmãos, é preciso um sagrado dizer-sim”, assim falou Zaratustra.
Como não esvaziar a nossa angústia em falatórios? A angústia é fundamental. Deixá-la crescer célula rebelde até que se exploda em “obra-de-arte-viva” — metástase que se imponha para além das nossas vaidades e vilezas.
Vazios, não. Os espaços são cheios, grávidos de sentido. Os corpos se comunicam; abertura. O corpo é via de trânsito, onde as informações circulam. As imagens, sentimentos e tensões necessárias para criação brotarão de mim, da minha ancestralidade. Diz Sócrates: “Como você vê, Menon, eu não estou ensinando nada, só perguntando.” Nesse processo, parece-me, o saber perguntar (instigar/ provocar) do encenador — que acredita que todo material da criação nos habita — será o gatilho e, quando disparar, abrirá portas e janelas para que o humano possa entrar nessa “Terra Queimada” e sair dela; descansar o olhar no canavial através da janela; deixar que o pó preto da cana invada nossas casas (corpos) pela fresta da telha.
Esses primeiros encontros visaram à criação de um ambiente físico-ideológico, que norteará nossos caminhos e descaminhos. Importantes passos foram dados. Cambaleantes, ainda, como um trem que sacode, mas não descarrilha.
Psicografado na manhã do dia 11/11/2011,
pelo médium Durval Cristovão,
ditado pelo espírito Menino do Engenho.
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